Poliuretano Vegetal Imperveg

ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS E PROCEDIMENTOS DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO A BASE DE POLIURETANO VEGETAL IMPERVEG®.

1. OBJETIVO
O presente manual tem por objetivo fornecer informações relevantes para a execução de serviços de impermeabilização a base de poliuretano vegetal IMPERVEG®. Cabe ressaltar que cada caso pode apresentar situações diferentes das apresentadas como, por exemplo, alguma patologia ou até mesmo recalque da estrutura, aqui não mencionados.
Faz – se necessário uma análise prévia da obra pelo Profissional responsável da Empresa que vai executar o serviço, ou seja, procurar conhecer todos os procedimentos a serem adotados para não ser surpreendido por situações não previstas.
Citamos na aplicação do impermeabilizante um rendimento teórico de 50 m² dia/homem para a aplicação de 5 demãos, para efeito de composição de prazo de execução e de custos. Este rendimento poderá ser maior a partir do momento que o aplicador for adquirindo prática.
O sucesso da obra depende do profissionalismo e do comprometimento com o Cliente.

2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

2.1 Durabilidade das estruturas de concreto

Uma estrutura em concreto armado deve ser projetada não somente sob o critério de resistência mecânica, capaz de suportar os esforços aos quais será submetida, mas também devem ser consideradas as condições de constituição que possibilitem suportar as ações externas como a presença de elementos agressivos.
Segundo o AMERICAN CONCRETE INSTITUTE (ACI) 201, durabilidade do concreto consiste na habilidade para resistir às ações de intempéries, ataques químicos, abrasão ou qualquer outro processo de deterioração, ou seja, um concreto durável manterá sua forma original, qualidade e funcionalidade, quando colocado sob a ação do meio ambiente.
De acordo com BAUER (1988), para que uma obra de concreto possa ser durável é necessário que a armadura seja definitivamente protegida contra a oxidação. Caso contrário, ocorre a exposição da armadura e conseqüente aumento da velocidade de oxidação e perda de resistência do concreto armado. Portanto, o concreto deve funcionar como uma barreira física entre a armadura e o meio, além de proporcionar a proteção
química devido à alta alcalinidade.
As principais razões que justificam a necessidade da aplicação de revestimentos encontram se descritas a seguir:

· Resistência Química: o concreto possui a propriedade de ser um material reativo o que justifica a aplicação de revestimentos que impeçam a interação ou contaminação do concreto e outras substâncias químicas presentes no meio.

· Resistência à corrosão: muitas substâncias presentes no meio, como ácidos, ácido carbônico, água pura, podem ocasionar a corrosão química do concreto não revestido. O desempenho do sistema de proteção contra corrosão está relacionado com a capacidade de formação de um filme contínuo e aderente. Entretanto, devido à superfície irregular do concreto, a obtenção da camada contínua de revestimento é resultante do aumento da sua espessura, de modo a cobrir todas as imperfeições.

· Armaduras de reforço: as armaduras embutidas em estruturas de concreto podem sofrer o processo de corrosão através do ataque de substâncias agressivas. A aplicação de revestimentos de alto desempenho, capaz de impedir a passagem de elementos agressivos, mostra ser uma alternativa viável para impedir a formação de células eletroquímicas de corrosão.

2.2 Normas de impermeabilização

2.2.1 NBR 9575:2003 – “Impermeabilização – Seleção e Projeto”

Item 3.48 – Impermeabilidade: propriedade de um produto de ser impermeável. A sua determinação está associada a uma pressão limite convencionada em ensaio específico.
Item 3.49 – Impermeabilização: produto resultante de um conjunto de componentes e elementos construtivos (serviços) que objetivam proteger as construções contra a ação deletéria de fluídos, de vapores e da umidade; produto (conjunto de componentes ou elemento) resultante destes serviços. Geralmente impermeabilização é composta de um conjunto de camadas, com funções específicas.
Item 3.61 – Membrana: produto impermeabilizante, moldado no local, com ou sem estruturante.
Item 3.71 – Sistema de impermeabilização: conjunto de produtos e serviços destinados a conferir estanqueidade a partes de uma construção.

2.2.2 NBR 9574:2009 – “Execução de Impermeabilização”

Item 4.3.9 – Membrana de poliuretano

2.2.3 NBR 15487:2007 – “Membrana de poliuretano para impermeabilização”

Item 3.2 – Membrana de poliuretano bicomponente: produto à base de poliuretano, formado a partir da reação de polimerização a frio de polióis e isocianatos, moldado no local da aplicação em uma ou mais camadas, com ou sem uso de estruturantes.
Item 4.1.1 – A membrana de poliuretano deve ser homogênea, monolítica, com espessura, podendo variar conforme a necessidade da aplicação e aderida ao substrato.
Item 4.1.5 – Para os produtos bicomponentes a relação entre os dois componentes (A+B) deve ser balanceada, de tal modo que a formação da membrana seja perfeita e uniforme, conforme a proporção em massa definida pelo fabricante.

3. Especificação do Sistema de Impermeabilização a base de poliuretano vegetal IMPERVEG®

Este sistema de impermeabilização baseia-se na aplicação de diferentes materiais, de modo a obterem aderência à base (substrato) e constituírem um conjunto impermeabilizante conforme as prescrições da NBR 9575/2003 – “Impermeabilização – Seleção e Projeto”; NBR 9574/2009 – “Execução de impermeabilização” e NBR 15487/2007 – “Membrana de poliuretano para impermeabilização” sendo considerado como sistema moldado “in loco”, aderente ao substrato devendo impedir a passagem da água, apresentar resistência química e ao intemperismo.
Para sistema de armazenamento de água para consumo humano atende os padrões de potabilidade da água conforme NBR 12170 – Portaria MS 2914. O Sistema Impermeabilizante é constituído por uma camada inicial composta por cimento impermeabilizante e polímeros em emulsão com teor de sólidos de 56 % a base de látex ADEPOL aplicado diretamente sobre a superfície da estrutura a ser impermeabilizada, conforme prescrições da NBR 11905 – “Sistema de Impermeabilização Composto por Cimento Impermeabilizante a Polímeros”.
A seguir esta camada deve receber uma membrana de polímero a base de poliuretano vegetal IMPERVEG, bi-componente, 100% sólido (isento de solventes), moldado no local. Este impermeabilizante a base de poliuretano vegetal deve ser originado através da reação de um poliol e um pré-polímero, derivado de óleo vegetal (Ricinus Communis) e MDI (difenilmetano diisocianato), constituindo uma membrana monolítica, com estabilidade físicoquímica, elasticidade, impermeabilidade e aderência em materiais porosos como concreto e a argamassa contendo cimento Portland como aglomerante.

4. Procedimentos

Estes procedimentos servem para orientar de maneira geral uma perfeita preparação da base. Vale lembrar o dito anteriormente que a obra deve ser vistoriada previamente para não se ter surpresas com alguma patologia, como por exemplo, a necessidade de injeção de trincas aqui não relatadas.
A – E execução dos serviços se inicia com a limpeza de toda a superfície interna do tanque, reservatório, etc. mediante a aplicação de hidrojateamento de água a alta pressão (2.500 a 3.000 psi) para remoção de resíduos, restos de desmoldantes e outras impurezas;
B – Remover rebarbos oriundos da fuga da pasta de cimento entre formas e outros elementos que possam comprometer o serviço de impermeabilização;
C – Tratamento das trincas; nos locais onde o concreto se apresenta com gretas profundas, promover a escarificação até completa remoção do concreto deteriorado e realizar a recomposição devendo inicialmente criar uma ponte de aderência com uma nata de cimento emulsionada com adesivo polimérico a base de látex ADEPOL com 56 % de teor de sólidos (traço 1:1, uma parte de adesivo + uma parte de água) preenchendo em seguida com argamassa constituída de cimento Portland CP V ARI + areia média, no traço 1:3 (cimento + areia média), usando água pura como água de amassamento, até obter a consistência desejada devendo dar o acabamento com desempenadeira de madeira;
D – Tratamento das juntas frias (juntas de concretagem) conforme procedimentos descritos no item C;
E – Caso haja armaduras expostas, estas deverão ser devidamente limpas, com a retirada de escamas de oxidação e verificado o grau de comprometimento da sua seção transversal. Usar um fosfatizante na armadura limpa e preencher a greta conforme procedimentos
descritos no item C;
F – Confeccionar mísula nas interfaces piso x parede caso não exista, conforme procedimentos descritos no item C;
G – Promover a imprimação de toda a base. A imprimação tem por finalidade o tamponamento dos pequenos poros e é constituída da mistura de Cimento Portland tipo CP V ARI + Areia Quartzoza fina (peneira 80 a 100 furos por polegada quadrada), no traço 1:2, usando como água de amassamento uma emulsão constituída de adesivo polimérico a base de látex ADEPOL com 56 % de teor de sólidos + água pura, no traço 1:3. A argamassa de imprimação deve apresentar consistência fluída pastosa, devendo ser aplicada com brocha retangular. Antes de iniciar a imprimação a base deve ser ligeiramente hidratada, não devendo apresentar saturação de água. Depois de aplicado a imprimação, chegando ao
ponto de pega deve ser passada uma esponja ligeiramente úmida para corrigir respingos e grumos e retirar excesso de polímero. O consumo estimado por metro quadrado é 1 quilo da argamassa (cimento + areia fina), 100 gramas de adesivo polimérico a base de látex ADEPOL com 56 % de teor de sólidos e 300 gramas de água pura, este consumo pode variar para mais ou para menos dependendo do substrato. O tempo de cura é de 72 horas.
Obs: Manter cura úmida por 1 (um) dia e, após a cura lixar toda a base para remoção de  areia solta, excesso de polímero ou grumos que porventura não tenham sido removidos pela esponja, antes de aplicar o impermeabilizante NOTA: Pode ser utilizado também cimento Portland Comum, devendo o tempo de cura ser de 120 horas;
H – Após a cura da imprimação e encontrando-se a base (substrato) limpa e seca deve ser iniciada à aplicação do impermeabilizante a base de poliuretano vegetal IMPERVEG®. O consumo mínimo recomendado é de 01 quilo por metro quadrado (01 Kg/m², e = 1 mm) em cinco demãos, sendo que as demãos devem ser aplicadas quando o impermeabilizante atingir o ponto de seca ao toque, este tempo é de 02 horas a 25o C, podendo ocorrer em um período menor dependendo da temperatura, quanto maior a temperatura menor o tempo de seca ao toque. Por se tratar de polímero cujo processo de polimerização ocorre em 06 horas as demãos devem ser aplicadas dentro deste intervalo para não comprometer a aderência das demãos subsequentes. Caso a área a ser aplicado o impermeabilizante for maior que a capacidade produtiva da equipe de aplicação, rendimento diário aproximado de 50 m² / homem, deve ser criada uma ponte de aderência na ultima demão, polvilhando areia média limpa e seca numa faixa de 10 cm ao longo de toda a extensão ou, lixar para criar rugosidade. A aplicação do impermeabilizante é realizada manualmente através de rolo de lã acrílica, trinchas, brochas retangulares, etc.